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Mostrando postagens com o rótulo Artigo

Estância: onde até o nome já chega bonito

Estância. Só de falar, já escorre uma sonoridade elegante, dessas que não tropeçam na língua nem causam vergonha alheia fonética. Um nome que se impõe com suavidade — coisa rara. Dizem que veio de um mexicano, Pedro Homem da Costa, sujeito que passou por essas bandas quando Estância ainda era uma extensão de Santa Luzia. Pode ter sido batizada assim por ser ponto de parada, respiro no meio das longas e cansativas rotas comerciais de antigamente. Um lugar onde o corpo descansava e, sem querer, a história começava a se instalar. Dom Pedro II não economizou nos elogios: chamou a cidade de “Jardim de Sergipe” . E não foi por gentileza imperial. Estância carrega nas suas entranhas um patrimônio arquitetônico de fazer qualquer cidade grande corar de inveja — sobrados azulejados, becos que parecem sussurrar segredos e ruas que já viram mais história do que muito livro por aí. Sim, muita coisa se perdeu. Demoliram, mutilaram, apagaram pedaços importantes. Mas Estância tem uma teimosia bonita: ...

Lobisomem que se atreva: no Alto do Cheiro, quem manda é Zé de Antero

O Alto do Cheiro não aparece em mapa grande. É desses lugares que só existem de verdade para quem chega devagar, sentindo a poeira subir mansa, misturada ao cheiro de terra quente e folha amassada. Foi num dezembro de 2008 que cheguei ali, levado pelo convite de Zé de Antero — homem conhecido mais pela boca do que pelos feitos, mas que, no sertão, isso já basta para virar lenda. Antes de subir a ladeira de barro rumo ao povoado, Riachão do Dantas me segurou pelos braços da memória. A igreja de Nossa Senhora do Amparo estava aberta, silenciosa, como se ainda guardasse ecos antigos. Ali, em 1966, um menino chamado Augusto Sérgio caiu da torre enquanto puxava o sino na hora mais solene da missa. O corpo foi levado às pressas para Lagarto; a notícia da morte voltou mais rápido. Desde então, o sino nunca tocou do mesmo jeito. Em cidade pequena, tragédia não passa — se acomoda. Riachão também é a terra do Bode Bito, criatura mais sociável que muito cristão. O bicho acompanhava missas, festas...

Estância consolida rede de cuidado, proteção e autonomia econômica para mulheres

Prefeito André e Primeira-dama Cláudia   A Prefeitura de Estância, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para a Mulher (SMPM), implementou um conjunto robusto de ações estratégicas para fortalecer o bem-estar, a proteção e o empoderamento feminino. A gestão do prefeito André Graça atua de forma intersetorial, garantindo que as mulheres estancianas tenham acesso facilitado a serviços essenciais de saúde, qualificação profissional e mecanismos eficazes de proteção e suporte financeiro. Na área da saúde, a política de prevenção foi intensificada com a Carreta de Saúde da Mulher (parceria com o SESC), levando exames preventivos e atenção primária à população. A Prefeitura também expandiu o acesso ao Dispositivo Intrauterino (DIU), oferecendo um método contraceptivo seguro de longo prazo. Reconhecendo as demandas de famílias com crianças atípicas, firmou-se um convênio com o Hospital Amparo de Maria para atendimento especializado a crianças neurodivergentes (TEA). O enfrentament...

A Batalha da Tinta: Gazeta de Estância e Nosso Jornal como Armas no Duelo Político entre Nivaldo Silva e Carlos Magno

Imagem ilustrativa Estância, a "Cidade Jardim," consagrada por Dom Pedro II, sempre teve sua história entrelaçada com a imprensa. Berço do “Recompilador Sergipano,” o primeiro jornal de Sergipe, fundado por Monsenhor Silveira em 1832, a cidade perpetuou essa tradição tipográfica de precisão por muitas décadas, transformando a palavra impressa em uma arena onde as disputas políticas encontravam eco. Nos anos 1980, essa tradição eclodiu em um conflito de narrativas, transformando as rotativas em câmaras de eco onde a política local era desmembrada e reescrita diariamente, inflamando os ânimos da população. Entre 1980 e 1988, dois jornais marcaram época e polarizaram a opinião pública: a “Gazeta de Estância”, propriedade do comerciante e opositor visceral Nivaldo Silva, e o “Nosso Jornal”, vinculado à prefeitura do então prefeito Carlos Magno. A rivalidade entre esses líderes era acirrada, e seus jornais tornaram-se armas afiadas nesse embate, com manchetes que destilavam ...

Judite Santeira: quando o barro virou milagre nas mãos de uma mestra

  Existem encontros cuja data a gente até esquece, mas cujo impacto permanece. A minha visita a Dona Judite Santeira foi exatamente assim: a memória falha, mas a tecnologia — essa fofoqueira moderna — registrou lá na foto: novembro de 2005. O empresário Dr. Jorge Leite, dono da Rádio Esperança e apresentador do programa “A Esperança Conversa com Você”, pediu que eu fosse entrevistar a artesã na casa dela, na Rua Zeca do Forte, Cidade Nova. Pedido feito, pedido atendido — e lá estava eu, com pose de repórter da Globo, carregando um mini gravador Sony e uma máquina fotográfica. Então, imagine minha moral ao aparecer na casa de Dona Judite em um carro da empresa, motorista incluso. Cheguei distribuindo pompa sem nem perceber. A porta estava semiaberta, típica casa nordestina em que a hospitalidade entra antes de você tocar. Bati palmas, chamei e fui atendido por uma jovem — a filha da artista. Entrei, sentei, respirei… e aí começou a mágica. A arte que nasceu do improviso Do...

Aniversário de 48 anos: Bairro Valter Cardoso celebra quase meio século de crescimento e protagonismo em Estância

  A visão que transformou a cidade O Bairro Valter Cardoso — a tradicional Cidade Nova — completa, nesta segunda-feira, 24 de novembro, 48 anos de fundação. Criado em 1977, o bairro se consolidou como o mais populoso de Estância e supera, em extensão e número de habitantes, diversos municípios sergipanos, reforçando sua relevância para o desenvolvimento urbano do município. O projeto nasceu da visão ousada do saudoso prefeito Valter Cardoso, autor da Lei nº 550/1977. Em vez de manter na área uma pista de pouso — localizada nas terras do sr. Zeca do Forte —, o gestor decidiu transformá-la em núcleo de expansão da cidade. A iniciativa redefiniu o traçado urbano e marcou definitivamente o futuro de Estância. O marco inicial foi liderado pelo próprio prefeito, ao lado do secretário de Urbanismo, Alizi Cardoso, e do administrador Antônio Serafim. Juntos, traçaram ruas e avenidas a bordo de uma patrol operada por Chico da Patrol. Para auxiliar os moradores, que tinham dois anos p...

Entre o som do tiro e o silêncio da fome, um menino aprendeu cedo que sobreviver seria sua maior lição

  Por Genílson Máximo*   Na periferia, onde o Estado raramente chega e a esperança aprende a se esconder, a infância de Charles foi moldada por ausências que pesavam mais do que qualquer presença. Criado entre grades, ruídos e silêncios, ele simboliza milhares de meninos brasileiros órfãos de amparo, de afeto e de oportunidades. Sua história ecoa a pobreza que insiste em atravessar gerações — um som profundo, difícil de calar.   O estampido que inaugurou uma vida partida A primeira lembrança de Charles não é o abraço da mãe nem o carinho de um brinquedo. É um estampido. Um tiro cortando a viela. Aos seis anos, ele assistiu ao assassinato do pai — homem que, entre deslizes e escolhas tortas, tentava sobreviver à margem do possível. Aquele disparo não matou apenas um corpo: abriu uma fissura que se estenderia pelos anos, rachando o destino do menino e da família. O episódio inaugurou uma existência sem rede de proteção. Tudo o que veio depois — pobreza, instabilida...

Tragédia Urbana na BR-101 em Estância: o alerta ignorado do DNIT e a luta dos vereadores Artur e Sandro

  A travessia urbana da BR-101 na cidade de Estância (SE) transformou-se em um corredor de alto risco, causando luto e insegurança para a população que diariamente precisa cruzar a rodovia para acessar bairros vitais como Bonfim, Piauitinga, Cidade Nova e Santo Antônio. O problema, que se arrasta por quase 80 anos , é marcado pela inércia do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes ( DNIT ), que, segundo lideranças locais, ignora sucessivos pedidos para a instalação de medidas de segurança. O Grito de alerta da política local O drama das travessias perigosas na BR-101, que corta a cidade de Estância de norte a sul, tem sido a principal bandeira de luta de alguns parlamentares. Os vereadores Artur do PT e Sandro Barreto Gomes (Sandro de Bibi) destacam-se na cobrança por soluções. Em pronunciamentos na Câmara Municipal, ambos reforçaram a necessidade urgente de intervenção, focando na instalação de semáforos nos trechos mais críticos e vias para pedestres....