O calendário marca 2026 e, com ele, ressurge — mais uma vez — um fenômeno folclórico e perigoso na política brasileira: o político "Copa do Mundo". Aquele que passou quatro anos em berço esplêndido, ignorando deliberadamente as súplicas da população, mas que agora, quase que por milagre, desenvolveu um apetite voraz por pastéis de feira e uma disposição invejável para comparecer até a "aniversário de boneca". Não se trata de coincidência; trata-se de conveniência escancarada. O teatro do absurdo nas ruas Estamos, sem qualquer disfarce, na temporada do "abraço de tamanduá" — aquele aperto forte que, na prática, serve para sufocar a memória do eleitor e encobrir anos de omissão. É o momento em que figuras que sempre ostentaram desprezo silencioso pelas causas populares saem às ruas, encenando uma humildade coreografada que beira o cinismo. É impossível não lembrar do icônico personagem Justo Veríssimo, de Chico Anysio, cujo lema ecoa — com desconcertan...
No ano da graça de 1976, no agreste profundo de um município que só aparece no mapa se a gente der zoom com fé, aconteceu uma das noites mais atrapalhadas já vistas num forrobodó regional. Tudo começou num baile animado por um trio de forró que era uma cópia sem vergonha, mas competente, d’Os 3 do Nordeste. O sanfoneiro era Ganso — um cabra magro feito vara de pescar, mas que tirava som da sanfona como se tivesse pacto com Santo Lua. Na zabumba, vinha Mangangão, gordo que só ele, que suava igual tampa de chaleira; e no triângulo, o invocado Saruê, que tocava com tanta empolgação que, vez em quando, perdia o compasso e seguia mesmo assim, com cara de quem estava certo. A festança se deu numa casa de chão batido, com candeeiro pendurado no meio do salão, balançando como se dançasse também. O dono da casa, Seu Minervino, passava hora em hora com balde d’água pra molhar o chão, senão o chap-chap do chinelo do povo fazia levantar poeira que até gritava por socorro. Nesse tipo ...