Estância. Só de falar, já escorre uma sonoridade elegante, dessas que não tropeçam na língua nem causam vergonha alheia fonética. Um nome que se impõe com suavidade — coisa rara. Dizem que veio de um mexicano, Pedro Homem da Costa, sujeito que passou por essas bandas quando Estância ainda era uma extensão de Santa Luzia. Pode ter sido batizada assim por ser ponto de parada, respiro no meio das longas e cansativas rotas comerciais de antigamente. Um lugar onde o corpo descansava e, sem querer, a história começava a se instalar. Dom Pedro II não economizou nos elogios: chamou a cidade de “Jardim de Sergipe” . E não foi por gentileza imperial. Estância carrega nas suas entranhas um patrimônio arquitetônico de fazer qualquer cidade grande corar de inveja — sobrados azulejados, becos que parecem sussurrar segredos e ruas que já viram mais história do que muito livro por aí. Sim, muita coisa se perdeu. Demoliram, mutilaram, apagaram pedaços importantes. Mas Estância tem uma teimosia bonita: ...
Há crônicas que nascem do saudosismo, mas esta nasce, sobretudo, da admiração. Ela entrelaça dois tempos: o turbulento romance de Dalva de Oliveira e Herivelton Martins nos anos 50 e a lembrança vívida do meu mestre e amigo, Dr. Jorge Leite . Engenheiro elétrico por formação, mas jornalista e radialista por vocação, o proprietário da Rádio Esperança era um homem cujo faro para a comunicação sempre o colocava à frente do seu tempo. Em meados de 2009, o telefone do estúdio tocou. Do outro lado da linha, direto de São Paulo, a voz inconfundível do Dr. Jorge: — "Estou em uma loja de LPs e acabo de garimpar Dalva de Oliveira e Herivelton Martins. Você já ouviu falar deles? Prepare a produção para o meu programa, 'A Esperança Conversa com Você'. Vou contar essa história. Foi um furacão na época!" Dr. Jorge não buscava apenas discos; ele resgatava a memória afetiva do Brasil. Na semana seguinte, ele cruzou o estúdio com os vinis debaixo do braço. Combinamos a grava...