Crônica Na década de 80, em plena efervescência de uma campanha eleitoral — daquelas em que promessa corria mais solta que boato de feira — fui convidado a participar do comício de um político local bastante conhecido. O evento aconteceu em frente ao Hotel Dom Bosco, num palco improvisado sobre a carroceria de um caminhão, virado para a Praça do Amparo, como quem desafia o equilíbrio e a lógica. Era uma quarta-feira à noite, e a rua fervilhava. Gente por todo lado, espremida, animada, curiosa — alguns pelo candidato, muitos mais pelo espetáculo. Porque, naquele tempo, comício não era só discurso: era quase uma quermesse política. Distribuíam-se brindes, camisetas, bonés, promessas e, em alguns casos, até esperança — essa, sempre em estoque duvidoso. A decoração ajudava no clima: cartazes colados nas paredes, rostos sorridentes nos postes, bandeirinhas atravessando a rua como se fosse festa junina fora de época. A iluminação, meio improvisada, dava ao cenário um ar entre o solene e o ...
Quase dez anos. Esse é o período que separa Estância da última vez em que um representante diretamente identificado com a cidade ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Sergipe. Entre 2011 e 2016, o médico Gilson Andrade exerceu dois mandatos consecutivos como deputado estadual. Em dezembro de 2016, deixou a Alese para assumir a Prefeitura de Estância. Desde então, o município não voltou a eleger um deputado estadual cuja principal base política e eleitoral estivesse diretamente vinculada à cidade. De lá para cá, a política sergipana mudou. Governos foram eleitos e reeleitos, novos investimentos foram anunciados, orçamentos estaduais foram aprovados e as emendas parlamentares ganharam importância no financiamento de obras e ações nos municípios. Nesse cenário, Estância passou a depender da articulação de parlamentares de diferentes bases políticas para encaminhar demandas junto ao Legislativo estadual. A discussão, portanto, não é de vitimismo. É de representação política. O qu...