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Dr. Cristóvão propõe monumento para eternizar legado de Valter Cardozo

  ESTÂNCIA — A preservação da memória histórica do município ganhou destaque na sessão ordinária da Câmara Municipal de Estância realizada em 8 de novembro de 2022. O vereador Dr. Cristóvão (MDB) apresentou a Indicação nº 646/2022, solicitando ao Poder Executivo a construção de um monumento em homenagem ao ex-prefeito Valter Cardozo Costa, na entrada do Bairro Cidade Nova. A proposta busca reconhecer a contribuição do gestor que deu nome ao bairro e esteve diretamente ligado ao processo de expansão urbana da cidade. Durante a defesa da indicação, o parlamentar destacou a importância de manter viva a trajetória de personalidades que contribuíram para o desenvolvimento de Estância. “Entendemos ser uma justa homenagem ao fundador desse majestoso e pujante bairro de nossa cidade. É uma forma didática de manter viva a história para conhecimento das futuras gerações”, afirmou o vereador. Reconhecido por sua atuação parlamentar voltada para questões históricas e comunitárias, Dr. Cristóvã...
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Os dois lados da vida de Ninete: da luta no cabaré à força de uma guerreira

Na década de oitenta, em Estância, as margens da BR-101 pareciam possuir vida própria quando a noite caía. Caminhões rasgavam a estrada feito trovões metálicos, enquanto luzes coloridas piscavam nos famosos bordéis de Tomatinho, Cícero, Gildo, Ninha Ninete, Raimundo de Jacó e no célebre Bambu. O povo mais puritano chamava aqueles lugares de “casas obscenas”. Mas quem conhecia os atalhos da vida sabia: ali muita gente ia não apenas atrás de prazer, mas também de esquecimento, consolo e fuga. O cabaré era democrático. Misturava rico, liso, remediado, empresário, picareta, biriteiro, caminhoneiro, valentão, homem de família e sujeito perdido de si mesmo. Tinha de tudo. Era um retrato torto da própria sociedade. E naquele universo de fumaça, música alta, perfume barato e tristeza escondida atrás de gargalhadas, destacava-se Dona Ninete. Era impossível sua presença passar despercebida. Alta, elegante, sempre vestida em cores vibrantes, joias reluzindo nos braços e um perfume que anunciava s...

O deputado Gilson Andrade cantou Gonzaga, mas quem deu o show foi o jato do pitu

Num desses dias em que a inspiração nos dá um sacolejo tão forte no juízo que chega a deslocar o bom senso, resolvi sacudir as lembranças, espanar o pó do tempo e colocar no papel um episódio que, ao meu ver, pertence à mais pura essência da comédia pastelão da vida real. Era tarde de um domingo, 23 de maio de 2010. A nossa querida Estância, terra de Gumercindo Bessa, parecia um formigueiro que tinha levado uma topada. Pelos quatro cantos, o fuxico da campanha eleitoral corria mais rápido que rastro de pólvora. Para completar o caldeirão, os festejos juninos já batiam à porta, e em cada beco, rua e esquina, respirava-se uma mistura de promessa política com aquele gostinho de "Salva Junina" — tradição das boas que fecha maio com chave de ouro e fumaça no zóio. Neste cenário de pura ebulição, o telefone tocou. Do outro lado, a voz veloz e inconfundível do meu amigo — o sempre atencioso médico e forrozeiro de carteirinha, passaporte e bota de couro — doutor Gilson Andrade. Ele m...

João Barriga: o homem que “ressuscitou” no velório

João Esídio dos Santos, eternizado pelo apelido de João Barriga , foi um desses personagens que dão alma às cidades do interior. Homem simples e de mil ofícios, fez da Rua de São Cristóvão, no bairro Santa Cruz, em Estância, o seu porto seguro, onde fincou raízes e criou sua numerosa prole. Nos seus primeiros tempos, era figura cativa no cotidiano da cidade como aguadeiro, vendendo o precioso líquido transportado no lombo de burros. Com o suor do trabalho, conseguiu evoluir: adquiriu uma possante junta de bois e uma carroça, com a qual vencia as ladeiras transportando pedras e materiais de construção. Mais tarde, o destino o forçou a retroceder para um veículo menor, puxado por um só burro, até que as intempéries da vida o fizeram perder seus bens. João era casado com a senhora Sofia Ferreira dos Santos, com quem dividiu a jornada de criar nove filhos. Durante minha adolescência, conheci dois deles — Caquinho e Nenê —, que hoje, como o pai, já habitam a memória. Figura onipresente no b...

Barrismo: quando o pertencimento se transforma em consciência coletiva

  Há quem critique o barrismo como um simples apego exagerado à terra natal. Outros o enxergam como provincianismo, vaidade regional ou mera rivalidade entre cidades. Contudo, quando analisado sob a ótica moral, cultural e política, o barrismo pode representar algo muito mais profundo: identidade, pertencimento, valorização das raízes e compromisso com o desenvolvimento da própria comunidade. O barrismo saudável não nasce da arrogância. Ele brota da memória afetiva. É o orgulho do sotaque, da culinária, das tradições populares, das festas religiosas, das expressões culturais e da história construída por gerações. É o sentimento que leva alguém a defender sua cidade não por achar que ela é superior às demais, mas por entender que ela carrega suas origens, sua gente e sua trajetória de vida. No campo cultural, o barrismo possui papel fundamental. Povos que abandonam suas referências terminam absorvidos por modelos externos que pouco dialogam com sua realidade. Uma cidade que não ...

O Despertar do eleitor: entre o "abraço de tamanduá" e o silêncio dos oportunistas

O calendário marca 2026 e, com ele, ressurge — mais uma vez — um fenômeno folclórico e perigoso na política brasileira: o político "Copa do Mundo". Aquele que passou quatro anos em berço esplêndido, ignorando deliberadamente as súplicas da população, mas que agora, quase que por milagre, desenvolveu um apetite voraz por pastéis de feira e uma disposição invejável para comparecer até a "aniversário de boneca". Não se trata de coincidência; trata-se de conveniência escancarada. O teatro do absurdo nas ruas Estamos, sem qualquer disfarce, na temporada do "abraço de tamanduá" — aquele aperto forte que, na prática, serve para sufocar a memória do eleitor e encobrir anos de omissão. É o momento em que figuras que sempre ostentaram desprezo silencioso pelas causas populares saem às ruas, encenando uma humildade coreografada que beira o cinismo. É impossível não lembrar do icônico personagem Justo Veríssimo, de Chico Anysio, cujo lema ecoa — com desconcertan...

Deu Quiproquó no Forró de Chão Batido

  No ano da graça de 1976, no agreste profundo de um município que só aparece no mapa se a gente der zoom com fé, aconteceu uma das noites mais atrapalhadas já vistas num forrobodó regional. Tudo começou num baile animado por um trio de forró que era uma cópia sem vergonha, mas competente, d’Os 3 do Nordeste. O sanfoneiro era Ganso — um cabra magro feito vara de pescar, mas que tirava som da sanfona como se tivesse pacto com Santo Lua. Na zabumba, vinha Mangangão, gordo que só ele, que suava igual tampa de chaleira; e no triângulo, o invocado Saruê, que tocava com tanta empolgação que, vez em quando, perdia o compasso e seguia mesmo assim, com cara de quem estava certo. A festança se deu numa casa de chão batido, com candeeiro pendurado no meio do salão, balançando como se dançasse também. O dono da casa, Seu Minervino, passava hora em hora com balde d’água pra molhar o chão, senão o chap-chap do chinelo do povo fazia levantar poeira que até gritava por socorro. Nesse tipo ...