Há quem critique o barrismo como um simples apego exagerado à terra natal. Outros o enxergam como provincianismo, vaidade regional ou mera rivalidade entre cidades. Contudo, quando analisado sob a ótica moral, cultural e política, o barrismo pode representar algo muito mais profundo: identidade, pertencimento, valorização das raízes e compromisso com o desenvolvimento da própria comunidade. O barrismo saudável não nasce da arrogância. Ele brota da memória afetiva. É o orgulho do sotaque, da culinária, das tradições populares, das festas religiosas, das expressões culturais e da história construída por gerações. É o sentimento que leva alguém a defender sua cidade não por achar que ela é superior às demais, mas por entender que ela carrega suas origens, sua gente e sua trajetória de vida. No campo cultural, o barrismo possui papel fundamental. Povos que abandonam suas referências terminam absorvidos por modelos externos que pouco dialogam com sua realidade. Uma cidade que não ...
O calendário marca 2026 e, com ele, ressurge — mais uma vez — um fenômeno folclórico e perigoso na política brasileira: o político "Copa do Mundo". Aquele que passou quatro anos em berço esplêndido, ignorando deliberadamente as súplicas da população, mas que agora, quase que por milagre, desenvolveu um apetite voraz por pastéis de feira e uma disposição invejável para comparecer até a "aniversário de boneca". Não se trata de coincidência; trata-se de conveniência escancarada. O teatro do absurdo nas ruas Estamos, sem qualquer disfarce, na temporada do "abraço de tamanduá" — aquele aperto forte que, na prática, serve para sufocar a memória do eleitor e encobrir anos de omissão. É o momento em que figuras que sempre ostentaram desprezo silencioso pelas causas populares saem às ruas, encenando uma humildade coreografada que beira o cinismo. É impossível não lembrar do icônico personagem Justo Veríssimo, de Chico Anysio, cujo lema ecoa — com desconcertan...