O ano de 2026 desenha-se como a “tempestade perfeita” para o entorpecimento da consciência política. Em um calendário em que a Copa do Mundo divide espaço com o brilho das fogueiras do São João, o eleitor corre o risco de ser reduzido a um mero espectador — e pior: o único a pagar o ingresso de um espetáculo no qual deveria ser o protagonista. Enquanto o Brasil vibra com o apito inicial em 11 de junho, nos bastidores, a engrenagem dos “mercadores de votos” já opera em rotação máxima, lubrificada por interesses que nada têm a ver com o bem comum. A patologia dos “candidatos copa do mundo” Eles surgem do nada, como se despertassem de uma hibernação estratégica que dura exatamente quatro anos. Não constroem, não participam, não pertencem — apenas aparecem. Cruzam Sergipe com o oportunismo de quem conhece os atalhos para o bolso e a esperança do povo, mas desconhece — ou despreza — a realidade das ruas de Estância. São os Candidatos Copa do Mundo: figuras que ignoram a cidade durante...
Estância. Só de falar, já escorre uma sonoridade elegante, dessas que não tropeçam na língua nem causam vergonha alheia fonética. Um nome que se impõe com suavidade — coisa rara. Dizem que veio de um mexicano, Pedro Homem da Costa, sujeito que passou por essas bandas quando Estância ainda era uma extensão de Santa Luzia. Pode ter sido batizada assim por ser ponto de parada, respiro no meio das longas e cansativas rotas comerciais de antigamente. Um lugar onde o corpo descansava e, sem querer, a história começava a se instalar. Dom Pedro II não economizou nos elogios: chamou a cidade de “Jardim de Sergipe” . E não foi por gentileza imperial. Estância carrega nas suas entranhas um patrimônio arquitetônico de fazer qualquer cidade grande corar de inveja — sobrados azulejados, becos que parecem sussurrar segredos e ruas que já viram mais história do que muito livro por aí. Sim, muita coisa se perdeu. Demoliram, mutilaram, apagaram pedaços importantes. Mas Estância tem uma teimosia bonita: ...