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Os aguadeiros e as antigas fontes de Estância

Imagem do Google: ilustrativa   Durante minha infância e pré-adolescência, testemunhei a presença frequente dos vendedores de água, conhecidos como “aguadeiros”, que transportavam barris de água em burros e jumentos, oferecendo seus serviços de porta em porta e de bairro em bairro. Esses aguadeiros anunciavam: “Olhe a água, freguesa! Água boa, fresquinha, limpinha!”. As pessoas saíam de suas casas com suas vasilhas, eram abastecidas e pagavam pelo serviço. Os aguadeiros desempenharam um papel importante no fornecimento de água potável às famílias, especialmente porque a maioria não tinha água encanada em suas residências. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) só foi criado em 28 de novembro de 1967, durante o primeiro mandato do prefeito Raymundo Silveira Souza (1967–1970). Esse marco representou o início de uma nova era na vida dos estancianos e gradualmente reduziu a presença dos vendedores ambulantes de água. Mesmo após a criação do SAAE, muitas famílias continuaram c...
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Estância: memórias de 1996 e reflexões sobre 2026

  Campanhas, personagens e lembranças de uma época ajudam a pensar o espaço político da cidade hoje Em 1996, eu trabalhava como locutor de carro de som itinerante. Percorria municípios sergipanos divulgando campanhas de aliados de Ivan Leite. Entre viagens, anúncios e encontros, acompanhei personagens e acontecimentos que, trinta anos depois, ainda me fazem pensar sobre a política de Estância. O Brasil vivia mais uma eleição municipal. Fernando Henrique Cardoso estava na Presidência, dois anos após a implantação do Plano Real, da qual participara como ministro da Fazenda de Itamar Franco. Em Sergipe, Albano Franco governava o estado. Estância contava com duas lideranças diretamente ligadas à cidade no Legislativo estadual e federal: Ivan Leite, em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa, e Carlos Magno, que havia sido deputado estadual e chegara à Câmara dos Deputados nas eleições de 1994. A atuação de Ivan ultrapassava os limites do município. Entre seus aliados esta...

Cordas da Memória: Celso do Cavaquinho e o tempo em tom maior

  Loteamento São Paulo tem rua em sua homenagem Nascido em 9 de janeiro de 1939, na cidade de Estância, Celso Oliveira Santos emprestou o seu nome à Rua “E”, do Loteamento São Paulo — denominação instituída há 13 anos pela Lei Nº 1.549, de 27 de março de 2012, sancionada pelo então prefeito Ivan Leite (2008–2012), teve como proponente o vereaddor José Domingos Machado (Dominguinhos do PT).  A lei transformou a via em Rua Celso Oliveira Santos, uma justa homenagem aprovada pela Câmara Municipal quatro anos após o seu passamento. Assim, o artista que deu voz e alma ao cavaquinho ganhou o merecido reconhecimento: uma rua que carrega o som da sua memória. Celso do Cavaquinho tornou-se mais do que um músico — fez-se símbolo. Desde a infância, demonstrava uma afinidade quase mística com o instrumento que marcaria sua vida. Já adulto, conquistou o reconhecimento e o carinho popular, tornando-se sinônimo de pertencimento e paixão pela arte. Por onde passou, levou o nome de Estânci...

Ivan Leite lamenta morte de Rony Almeida: "Sergipe perde uma referência de rigor e ética"

  O Ministério Público do Estado de Sergipe (MPSE) e a comunidade jurídica sergipana estão em luto. Faleceu neste domingo (11), aos 59 anos, o promotor de Justiça José Rony Silva Almeida, em decorrência de complicações causadas por um câncer.   Rony Almeida marcou a história das instituições jurídicas do estado ao liderar o Ministério Público de Sergipe como Procurador-Geral de Justiça por dois mandatos consecutivos (2014–2016 e 2016–2018). Sua gestão à frente do órgão ministerial notabilizou-se pela firmeza no combate à corrupção e ao crime organizado. Uma trajetória marcada pelo dever e pela justiça Ingressando no MPSE em 1992, Rony Almeida iniciou sua carreira no município de Porto da Folha. Ao longo de mais de três décadas de dedicação ao serviço público, atuou com destaque nas comarcas de Cristinápolis, Maruim e Estância, construindo uma reputação de retidão, eficiência e austeridade no exercício de suas atribuições. Memória e Relato: a homenagem do ex-prefeito de E...

Concurso Memórias de Jorge Prado Leite divulga vencedores após receber 333 inscrições

Iniciativa integrou as comemorações pelo centenário de nascimento de Jorge Prado Leite e reuniu relatos em texto, áudio e vídeo sobre histórias e experiências ligadas ao homenageado e às empresas da família Foram divulgados, nesta semana, os vencedores do Concurso Memórias de Jorge Prado Leite , iniciativa realizada como parte das comemorações pelo centenário de nascimento de Jorge Prado Leite, nascido em 19 de junho de 1925. Ao todo, 333 pessoas participaram do concurso , distribuídas nas categorias Dr. Jorge, Dona Angelina, Sulgipe, Dr. Ivan Leite e Rádio Esperança . Os participantes apresentaram relatos de fatos, experiências vividas ou histórias que ouviram de familiares, amigos e outras pessoas que conviveram com o homenageado. Desde o lançamento da iniciativa, a proposta foi estimular a participação espontânea, valorizando sobretudo a memória e o vínculo afetivo com as histórias contadas. Ao convidar o público para participar, por meio da Rádio Esperança, Ivan Leite, filho ...

O gol de placa de Dr. Jorge Leite: entre Dalva, Herivelton e a Rádio Esperança

    Há crônicas que nascem do saudosismo, mas esta nasce, sobretudo, da admiração. Ela entrelaça dois tempos: o turbulento romance de Dalva de Oliveira e Herivelton Martins nos anos 50 e a lembrança vívida do meu mestre e amigo, Dr. Jorge Leite . Engenheiro elétrico por formação, mas jornalista e radialista por vocação, o proprietário da Rádio Esperança era um homem cujo faro para a comunicação sempre o colocava à frente do seu tempo. Em meados de 2009, o telefone do estúdio tocou. Do outro lado da linha, direto de São Paulo, a voz inconfundível do Dr. Jorge: — "Estou em uma loja de LPs e acabo de garimpar Dalva de Oliveira e Herivelton Martins. Você já ouviu falar deles? Prepare a produção para o meu programa, 'A Esperança Conversa com Você'. Vou contar essa história. Foi um furacão na época!" Dr. Jorge não buscava apenas discos; ele resgatava a memória afetiva do Brasil. Na semana seguinte, ele cruzou o estúdio com os vinis debaixo do braço. Combinamos a grava...

Comício, dentadura e um discurso que não fechava

Crônica Na década de 80, em plena efervescência de uma campanha eleitoral — daquelas em que promessa corria mais solta que boato de feira — fui convidado a participar do comício de um político local bastante conhecido. O evento aconteceu em frente ao Hotel Dom Bosco, num palco improvisado sobre a carroceria de um caminhão, virado para a Praça do Amparo, como quem desafia o equilíbrio e a lógica. Era uma quarta-feira à noite, e a rua fervilhava. Gente por todo lado, espremida, animada, curiosa — alguns pelo candidato, muitos mais pelo espetáculo. Porque, naquele tempo, comício não era só discurso: era quase uma quermesse política. Distribuíam-se brindes, camisetas, bonés, promessas e, em alguns casos, até esperança — essa, sempre em estoque duvidoso. A decoração ajudava no clima: cartazes colados nas paredes, rostos sorridentes nos postes, bandeirinhas atravessando a rua como se fosse festa junina fora de época. A iluminação, meio improvisada, dava ao cenário um ar entre o solene e o ...