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Prefeito André Graça anuncia nova fase para área do antigo Ceasa

  O prefeito André Graça anunciou que a Prefeitura de Estância dará início, no dia 3 de março, às 11h, a uma nova etapa de ocupação da área do antigo Ceasa. Na data, a gestão municipal assina a ordem de serviço para a construção de um Módulo Esportivo às margens da BR-101, em frente à Maratá. A medida marca a retomada definitiva de um espaço que permaneceu ocioso por cerca de 30 anos. O equipamento será implantado em uma área de 3.119,31 metros quadrados. O investimento soma R$ 1.039.790,66, com recursos oriundos da outorga de água e esgoto do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Estância. A execução caberá à empresa HFontes Engenharia e Construção. O prazo contratual é de dez meses, com entrega prevista para janeiro de 2027. O projeto resulta de parceria entre o Município de Estância e a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer de Sergipe. O governo estadual fornecerá os módulos esportivos pré-fabricados. As estruturas incluem campo society, quadra poliesportiva, meia qu...
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Os aguadeiros e as antigas fontes de Estância

Imagem do Google: ilustrativa   Durante minha infância e pré-adolescência, testemunhei a presença frequente dos vendedores de água, conhecidos como “aguadeiros”, que transportavam barris de água em burros e jumentos, oferecendo seus serviços de porta em porta e de bairro em bairro. Esses aguadeiros anunciavam: “Olhe a água, freguesa! Água boa, fresquinha, limpinha!”. As pessoas saíam de suas casas com suas vasilhas, eram abastecidas e pagavam pelo serviço. Os aguadeiros desempenharam um papel importante no fornecimento de água potável às famílias, especialmente porque a maioria não tinha água encanada em suas residências. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) só foi criado em 28 de novembro de 1967, durante o primeiro mandato do prefeito Raymundo Silveira Souza (1967–1970). Esse marco representou o início de uma nova era na vida dos estancianos e gradualmente reduziu a presença dos vendedores ambulantes de água. Mesmo após a criação do SAAE, muitas famílias continuaram c...

O silenciar das sanfonas em Estância: o forró pé de serra clama por renovação

Em Estância, o São João é um marco cultural, considerado o mais tradicional do Brasil, com 30 dias de festejos que celebram a riqueza do forró pé de serra. Os trios de sanfona, zabumba e triângulo animam os arraiás, mas a cidade enfrenta a perda de grandes sanfoneiros, como Zé Taquary, Badinho, Tota Machado, Zé Rodrigues, Raimundo de Jacó, Zedinato, Patelô. Hoje, poucos, como Neno, Zé Carlos e Gonçalo, mantêm a chama acesa. A ausência de novos talentos ameaça a essência do forró local. É urgente que órgãos públicos invistam em políticas de incentivo, como escolinhas de sanfona e bolsas de estudo, para formar jovens sanfoneiros. Sem o pé de serra, o São João perde parte de seu encanto, e a cultura forrozeira, tão vital para a identidade nordestina, corre o risco de murchar. O forró nasceu no Nordeste, especialmente em Pernambuco, Paraíba e Ceará, como uma evolução das tradições musicais e culturais da região. Suas raízes estão por toda parte do país. A mistura de zabumba, triângulo e ...

Ano de festa, voto em jogo: cuidado com os “candidatos Copa do Mundo”

  2026 será um ano fora da curva no Brasil. Terá Copa do Mundo, festas juninas e eleições para presidente, governadores, senadores e deputados. Tudo ao mesmo tempo. Um prato cheio para a distração do eleitor. É nesse cenário que surgem os mercadores do voto. Eles aparecem de repente, cruzam a cidade como em andada de caranguejo e prometem soluções fáceis. Vendem esperança, mas defendem interesses próprios. O discurso é sedutor. A prática, conhecida. A Copa começa em 11 de junho de 2026. No mesmo período, Estância vive o São João. A atenção se divide entre o barco de fogo e a bola rolando. O risco cresce. Muitos políticos saem da hibernação e batem à porta em busca de voto. Só aparecem de quatro em quatro anos. São os “candidatos Copa do Mundo”. Estância tem nomes locais com condições de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). Perder essa chance significa seguir sem voz e sem vez. Significa continuar exportando votos e importando promessas vazias. O...

Cuidado que o circo chegou e o palhaço está de olho

  O palhaço ladrão de mulher Lá pelos idos das décadas de 70 e 80, o Brasil vivia sob a sombra pesada da Ditadura Militar. Havia censura, medo, vigilância e um silêncio forçado que tentava enquadrar até o riso. No interior, porém, onde a repressão chegava mais como eco do que como sirene, o povo encontrava brechas. Pequenas, improvisadas, mas eficazes. E uma dessas brechas vinha sobre rodas, levantando poeira, boato e expectativa: o circo itinerante. Quando a lona começava a ser armada, a cidade mudava de humor. As rádios AM tocavam Waldik Soriano cantando que não era cachorro, Odair José mandava parar de tomar a pílula, e aquilo, por si só, já era quase um ato revolucionário. Enquanto a MPB “intelectualizada” discutia o país nos salões, o povo digeria o mundo no picadeiro, entre gargalhadas, suspiros e desejos mal disfarçados. Aqui em Estância, os circos chegaram como chegam as histórias que ninguém esquece. Circo Garcia, Circo de Tourada, Circo Vostak, Circo Fumachú. Cada...

Lobisomem que se atreva: no Alto do Cheiro, quem manda é Zé de Antero

O Alto do Cheiro não aparece em mapa grande. É desses lugares que só existem de verdade para quem chega devagar, sentindo a poeira subir mansa, misturada ao cheiro de terra quente e folha amassada. Foi num dezembro de 2008 que cheguei ali, levado pelo convite de Zé de Antero — homem conhecido mais pela boca do que pelos feitos, mas que, no sertão, isso já basta para virar lenda. Antes de subir a ladeira de barro rumo ao povoado, Riachão do Dantas me segurou pelos braços da memória. A igreja de Nossa Senhora do Amparo estava aberta, silenciosa, como se ainda guardasse ecos antigos. Ali, em 1966, um menino chamado Augusto Sérgio caiu da torre enquanto puxava o sino na hora mais solene da missa. O corpo foi levado às pressas para Lagarto; a notícia da morte voltou mais rápido. Desde então, o sino nunca tocou do mesmo jeito. Em cidade pequena, tragédia não passa — se acomoda. Riachão também é a terra do Bode Bito, criatura mais sociável que muito cristão. O bicho acompanhava missas, festas...

O Mistério do lobisomem da Ponte do Bonfim em Estância: um causo de terror e humor

  Final dos anos 1960. Estância, sul de Sergipe. Tempo em que o apito da centenária Fábrica Senhor do Bonfim era mais pontual que relógio suíço e mandava mais do que muito político da época. Bastava o silvo ecoar e pronto: as ruas se enchiam de homens e mulheres de farda azul, caminhando apressados para cumprir turno, trocar serviço ou voltar para casa com o corpo cansado e a alma pedindo um café quente. O bairro Senhor do Bonfim fervilhava em horários certos — três, quatro vezes ao dia — num vaivém quase coreografado, que tinha como passagem obrigatória a pequena ponte de madeira sobre o rio Piauitinga. Entre esses operários, destacavam-se as mulheres: trabalhadeiras, firmes, que encaravam turno da noite sem reclamar. Mas começaram a reclamar — e muito — quando um personagem inesperado resolveu entrar na história: o lobisomem da ponte. Havia também os maridos, homens simples, porém zelosos, que não tinham estudo de sobra, mas tinham relho, cacete e disposição. E, como guardião da ...