Crônica Na década de 80, em plena efervescência de uma campanha eleitoral — daquelas em que promessa corria mais solta que boato de feira — fui convidado a participar do comício de um político local bastante conhecido. O evento aconteceu em frente ao Hotel Dom Bosco, num palco improvisado sobre a carroceria de um caminhão, virado para a Praça do Amparo como quem desafia o equilíbrio e a lógica. Era uma quarta-feira à noite, e a rua fervilhava. Gente por todo lado, espremida, animada, curiosa — alguns pelo candidato, muitos mais pelo espetáculo. Porque, naquele tempo, comício não era só discurso: era quase uma quermesse política. Distribuíam-se brindes, camisetas, bonés, promessas e, em alguns casos, até esperança — essa, sempre em estoque duvidoso. A decoração ajudava no clima: cartazes colados nas paredes, rostos sorridentes nos postes, bandeirinhas atravessando a rua como se fosse festa junina fora de época. A iluminação, meio improvisada, dava ao cenário um ar entre o solene e o c...
O ano de 2026 desenha-se como a “tempestade perfeita” para o entorpecimento da consciência política. Em um calendário em que a Copa do Mundo divide espaço com o brilho das fogueiras do São João, o eleitor corre o risco de ser reduzido a um mero espectador — e pior: o único a pagar o ingresso de um espetáculo no qual deveria ser o protagonista. Enquanto o Brasil vibra com o apito inicial em 11 de junho, nos bastidores, a engrenagem dos “mercadores de votos” já opera em rotação máxima, lubrificada por interesses que nada têm a ver com o bem comum. A patologia dos “candidatos copa do mundo” Eles surgem do nada, como se despertassem de uma hibernação estratégica que dura exatamente quatro anos. Não constroem, não participam, não pertencem — apenas aparecem. Cruzam Sergipe com o oportunismo de quem conhece os atalhos para o bolso e a esperança do povo, mas desconhece — ou despreza — a realidade das ruas de Estância. São os Candidatos Copa do Mundo: figuras que ignoram a cidade durante...