Homenagem a uma guerreira esquecida na história Março é um mês repleto de homenagens às mulheres, e com toda razão. Elas movem o mundo, geram vidas e sustentam realidades com uma força incansável. No entanto, longe dos tapetes vermelhos e dos holofotes sociais, muitas dessas trajetórias permanecem invisíveis, esquecidas à margem das estradas da vida. Na década de oitenta, em Estância, as margens da BR-101 abrigavam os famosos bordéis da região, pejorativamente chamados de "casas obscenas". Nesse cenário, destacava-se a figura proeminente de Dona Ninete, uma mulher de magnetismo e audácia singulares. Sempre elegantemente vestida em cores vibrantes e adornada com joias, ela marcava presença pelo rastro de seu perfume e pela altivez de seus 1,70m de altura. Sob os cabelos cacheados e uma vaidade única, trazia um mistério que aguçava os desejos masculinos e impunha respeito. Mais do que gerenciar um negócio, Dona Ninete transformou seu espaço em um refúgio. Ali, acolhia mulheres ...
Num desses dias em que a inspiração nos dá um sacolejo tão forte no juízo que chega a deslocar o bom senso, resolvi sacudir as lembranças, espanar o pó do tempo e colocar no papel um episódio que, ao meu ver, pertence à mais pura essência da comédia pastelão da vida real. Era tarde de um domingo, 23 de maio de 2010. A nossa querida Estância, terra de Gumercindo Bessa, parecia um formigueiro que tinha levado uma topada. Pelos quatro cantos, o fuxico da campanha eleitoral corria mais rápido que rastro de pólvora. Para completar o caldeirão, os festejos juninos já batiam à porta, e em cada beco, rua e esquina, respirava-se uma mistura de promessa política com aquele gostinho de "Salva Junina" — tradição das boas que fecha maio com chave de ouro e fumaça no zóio. Neste cenário de pura ebulição, o telefone tocou. Do outro lado, a voz veloz e inconfundível do meu amigo — o sempre atencioso médico e forrozeiro de carteirinha, passaporte e bota de couro — doutor Gilson Andrade. Ele m...