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O Circo, o Jogo e a Urna: Estância não pode ser figurante no espetáculo de 2026

 
O ano de 2026 desenha-se como a “tempestade perfeita” para o entorpecimento da consciência política. Em um calendário em que a Copa do Mundo divide espaço com o brilho das fogueiras do São João, o eleitor corre o risco de ser reduzido a um mero espectador — e pior: o único a pagar o ingresso de um espetáculo no qual deveria ser o protagonista. Enquanto o Brasil vibra com o apito inicial em 11 de junho, nos bastidores, a engrenagem dos “mercadores de votos” já opera em rotação máxima, lubrificada por interesses que nada têm a ver com o bem comum.

A patologia dos “candidatos copa do mundo”

Eles surgem do nada, como se despertassem de uma hibernação estratégica que dura exatamente quatro anos. Não constroem, não participam, não pertencem — apenas aparecem. Cruzam Sergipe com o oportunismo de quem conhece os atalhos para o bolso e a esperança do povo, mas desconhece — ou despreza — a realidade das ruas de Estância. São os Candidatos Copa do Mundo: figuras que ignoram a cidade durante todo o mandato e reaparecem agora — mais desorientados que potro com mosca no ouvido —, sedutores, ensaiados, com soluções mágicas e discursos vazios para problemas crônicos que nunca ajudaram a enfrentar.

É preciso dizer sem rodeios: aceitar esses paraquedistas não é ingenuidade — é conivência. É assinar, de forma consciente, um atestado de submissão política. Quem traz candidatos de fora, em troca de favores imediatos, cargos ou acordos de cúpula, está deliberadamente vendendo o futuro de Estância e comprando silêncio administrativo para os próximos quatro anos. Não há inocência nisso; há escolha — e ela cobra caro.

O contexto: bilhões do povo alimentando a máquina

Não se engane pelo sorriso ensaiado nos santinhos nem pela falsa proximidade dos apertos de mão. A eleição de 2026 será sustentada por um Fundo Partidário e Eleitoral que ultrapassa os 5 bilhões de reais. Repita-se: bilhões. Dinheiro público, arrancado do contribuinte, que poderia estar salvando vidas, reforçando a segurança ou tirando cidades do abandono, mas que será despejado em campanhas muitas vezes destinadas a perpetuar o status quo de oligarquias e blindar políticos envolvidos em escândalos e processos de corrupção.

Enquanto esse dinheiro irriga o marketing político e fabrica realidades artificiais, a vida real segue castigando quem não pode desligar a televisão:

Segurança: o avanço do crime organizado e a violência urbana já não batem à porta —arrombam.

Saúde: hospitais lotados, corredores superlotados e filas que não respeitam calendário eleitoral nem final de campeonato.

Infraestrutura: cidades esquecidas, sem saneamento básico digno, sem mobilidade, sem respeito.
Votar em quem só aparece na festa é legitimar esse ciclo perverso. É aceitar que a política continue sendo um balcão de negócios onde o povo paga a conta — sempre — enquanto os eleitos de fora recolhem o lucro e desaparecem.

Estância: o peso de ter voz própria na ALESE

A Cidade Jardim não é vazia de nomes, nem de história, nem de capacidade. Estância tem, sim, quadros com densidade política suficiente para ocupar cadeiras na Assembleia Legislativa de Sergipe (ALESE). Defender a representatividade local não é capricho nem bairrismo — é estratégia de sobrevivência institucional. Sem deputados que vivam, conheçam e sintam o cotidiano estanciano, a cidade seguirá refém de migalhas orçamentárias enviadas por quem sequer sabe localizar, no mapa e na prática, ruas como: Areal, Gato Preto, Gravatá, Maria Santana Santos, entre tantos outros.

Quando um vereador, um cabo eleitoral ou uma autoproclamada “liderança” bater à sua porta pedindo voto para alguém que sequer nunca pisou na feira-livre fora do período eleitoral, não hesite: a resposta precisa ser dura, direta e desconfortável — “Quem ganha com essa indicação? A cidade ou o seu bolso?” Porque, na maioria das vezes, a resposta já está dada — e não favorece você.

Conclusão: cartão vermelho para o oportunismo

Em 2026, a euforia da Copa e a tradição do Barco de Fogo não podem — e não devem — servir de cortina de fumaça para a negligência política. Distração é o terreno preferido de quem vive da manipulação. O voto continua sendo o instrumento mais poderoso — e talvez o último — que o cidadão possui para punir a mediocridade, a omissão e a traição política.

Não aceite ser moeda de troca, nem figurante de um jogo marcado. Se o candidato só aparece com a bola rolando, ele não merece a sua confiança quando a urna estiver aberta. Chegou a hora de expulsar da política quem subestima a inteligência de Estância.
No jogo do poder, não existe empate honroso para quem é explorado: ou jogamos para ganhar pela cidade, com consciência e firmeza, ou continuaremos sendo o troféu nas mãos de quem nunca nos representou — e nunca representará.




por: Genílson Máximo
Em 08 de abril de 2026.