Final dos anos 1960. Estância, sul de Sergipe. Tempo em que o apito da centenária Fábrica Senhor do Bonfim era mais pontual que relógio suíço e mandava mais do que muito político da época. Bastava o silvo ecoar e pronto: as ruas se enchiam de homens e mulheres de farda azul, caminhando apressados para cumprir turno, trocar serviço ou voltar para casa com o corpo cansado e a alma pedindo um café quente. O bairro Senhor do Bonfim fervilhava em horários certos — três, quatro vezes ao dia — num vaivém quase coreografado, que tinha como passagem obrigatória a pequena ponte de madeira sobre o rio Piauitinga. Entre esses operários, destacavam-se as mulheres: trabalhadeiras, firmes, que encaravam turno da noite sem reclamar. Mas começaram a reclamar — e muito — quando um personagem inesperado resolveu entrar na história: o lobisomem da ponte. Havia também os maridos, homens simples, porém zelosos, que não tinham estudo de sobra, mas tinham relho, cacete e disposição. E, como guardião da ...