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O circo chegou: não venda seu futuro a quem só aparece de 4 em 4 anos




O calendário aponta 2026 e a cena se repete com a precisão de um teatro de marionetes. O "político Copa do Mundo" está de volta às ruas. Aquele sujeito que hibernou durante todo o mandato, mantendo distância segura das periferias e ignorando solenemente cada apelo da população, subitamente foi acometido por um surto de humildade. Agora, ele não dispensa um pastel na feira, conhece o nome de cada morador da rua e parece ter desenvolvido uma vocação inabalável para ser padrinho de qualquer evento que apareça.

Não se iluda: isso não é uma conversão repentina, é pura conveniência eleitoreira.

Estamos na temporada do abraço forçado. É uma performance calculada, desenhada para sufocar a memória do eleitor e esconder o rastro de omissões acumulado ao longo de anos. Ver figuras que sempre trataram o povo com desdém agora encenando uma empatia coreografada é um exercício de paciência para quem tem o mínimo de bom senso.

O espírito de Justo Veríssimo, o célebre personagem de Chico Anysio, nunca esteve tão vivo. A diferença é que o "tenho horror a pobre" de hoje é mascarado por sorrisos de porcelana e promessas plastificadas feitas diante das câmeras. Eles circulam pelo seu bairro com a soberba de quem acredita que o eleitor tem amnésia seletiva.

É hora de fazer as perguntas que eles tentam abafar com barulho e distribuição de brindes: onde essas pessoas estavam quando os cofres públicos foram sangrados? Onde estavam quando a inflação corroeu o prato do trabalhador? A ausência deles não foi descuido; foi uma escolha política deliberada.

Fique atento: o candidato que hoje pede seu voto com lágrimas nos olhos é, na maioria das vezes, o mesmo que se calou diante das maiores injustiças e que hoje carrega uma ficha cheia de pendências com a Justiça. Se o passado do sujeito é um livro de escândalos, por que você entregaria o seu futuro nas mãos dele?

Este ano, o destino de Sergipe e do Brasil não é uma partida de futebol, é uma decisão de sobrevivência. Temos em jogo a Presidência, o governo, o Senado e as cadeiras do legislativo. E sejamos honestos: o Congresso atual é um retrato fiel da crise de representatividade. É um parlamento que se perdeu em interesses corporativos, manobras de gabinete e uma luta desmedida pela autoproteção, enquanto o cidadão luta para ter o básico.

Eles legislam para si, aumentam os próprios privilégios e criam cortinas de fumaça enquanto o serviço público definha. Este descompasso entre quem está no poder e quem paga a conta não é apenas um erro de percurso; é um deboche.

Não caia no canto da sereia. O político que desaparece nas crises e ressurge na época de colheita de votos não merece o seu selo de confiança. O seu voto não é um favor que se presta a um conhecido, é a única ferramenta capaz de frear quem vê a política como um banquete privado.

Não entregue o seu destino a quem só se lembra da sua existência quando o período eleitoral abre as portas. O político que se omite nas horas decisivas não está preocupado com o seu problema; ele está preocupado apenas em garantir o dele.

Olho vivo, eleitor. O circo pode até ser itinerante, mas a conta do espetáculo é você quem paga.

Por: Genílson Máximo.

Em 15 de julho de 2026