O calendário aponta 2026 e a cena se repete com a precisão de um teatro de marionetes. O "político Copa do Mundo" está de volta às ruas. Aquele sujeito que hibernou durante todo o mandato, mantendo distância segura das periferias e ignorando solenemente cada apelo da população, subitamente foi acometido por um surto de humildade. Agora, ele não dispensa um pastel na feira, conhece o nome de cada morador da rua e parece ter desenvolvido uma vocação inabalável para ser padrinho de qualquer evento que apareça.
Não se iluda: isso não é uma conversão repentina, é pura conveniência eleitoreira.
Estamos na temporada do abraço forçado. É uma performance calculada,
desenhada para sufocar a memória do eleitor e esconder o rastro de omissões
acumulado ao longo de anos. Ver figuras que sempre trataram o povo com desdém
agora encenando uma empatia coreografada é um exercício de paciência para quem
tem o mínimo de bom senso.
O espírito de Justo Veríssimo, o célebre personagem de Chico Anysio, nunca esteve tão vivo. A diferença é que o "tenho horror a pobre" de hoje é mascarado por sorrisos de porcelana e promessas plastificadas feitas diante das câmeras. Eles circulam pelo seu bairro com a soberba de quem acredita que o eleitor tem amnésia seletiva.
É hora de fazer as perguntas que eles tentam abafar com barulho e
distribuição de brindes: onde essas pessoas estavam quando os cofres públicos
foram sangrados? Onde estavam quando a inflação corroeu o prato do trabalhador?
A ausência deles não foi descuido; foi uma escolha política deliberada.
Fique atento: o candidato que hoje pede seu voto com lágrimas nos olhos é, na maioria das vezes, o mesmo que se calou diante das maiores injustiças e que hoje carrega uma ficha cheia de pendências com a Justiça. Se o passado do sujeito é um livro de escândalos, por que você entregaria o seu futuro nas mãos dele?
Este ano, o destino de Sergipe e do Brasil não é uma partida de futebol,
é uma decisão de sobrevivência. Temos em jogo a Presidência, o governo, o
Senado e as cadeiras do legislativo. E sejamos honestos: o Congresso atual é um
retrato fiel da crise de representatividade. É um parlamento que se perdeu em
interesses corporativos, manobras de gabinete e uma luta desmedida pela
autoproteção, enquanto o cidadão luta para ter o básico.
Eles legislam para si, aumentam os próprios privilégios e criam cortinas de fumaça enquanto o serviço público definha. Este descompasso entre quem está no poder e quem paga a conta não é apenas um erro de percurso; é um deboche.
Não caia no canto da sereia. O político que desaparece nas crises e
ressurge na época de colheita de votos não merece o seu selo de confiança. O
seu voto não é um favor que se presta a um conhecido, é a única ferramenta
capaz de frear quem vê a política como um banquete privado.
Não entregue o seu destino a quem só se lembra da sua existência quando
o período eleitoral abre as portas. O político que se omite nas horas decisivas
não está preocupado com o seu problema; ele está preocupado apenas em garantir
o dele.
Olho vivo, eleitor. O circo pode até ser itinerante, mas a conta do
espetáculo é você quem paga.
Por: Genílson Máximo.
Em 15 de julho de 2026
