O teatro do absurdo nas ruas
Estamos, sem qualquer disfarce, na temporada do
"abraço de tamanduá" — aquele aperto forte que, na prática, serve
para sufocar a memória do eleitor e encobrir anos de omissão. É o momento em
que figuras que sempre ostentaram desprezo silencioso pelas causas populares
saem às ruas, encenando uma humildade coreografada que beira o cinismo.
É impossível não lembrar do icônico personagem
Justo Veríssimo, de Chico Anysio, cujo lema ecoa — com desconcertante
atualidade — nos bastidores de muitas campanhas: "Tenho horror a pobre! O
povo que se exploda!". A diferença é que, diante das câmeras e nas feiras
livres, esses candidatos disfarçam o asco com sorrisos de porcelana, enquanto,
por trás das cortinas, seguem ignorando as demandas que sufocam o povo. A atuação
é convincente; a intenção, nem tanto.
O silêncio sepulcral diante da dor
O eleitor precisa — mais do que nunca — questionar:
onde estavam esses candidatos quando os escândalos de corrupção sangraram os
cofres públicos? A ausência, nesses momentos, não foi acaso; foi escolha.
• Fique
atento: aqueles que hoje pedem seu voto são exatamente os mesmos que mantiveram
um silêncio sepulcral diante das injustiças e se acovardaram diante das
cobranças mais urgentes.
• Atenção
redobrada: muitos dos que agora se apresentam como "opção" estão sob
a mira da Justiça, carregando fichas extensas de denúncias e escândalos que não
podem — e não devem — ser ignorados.
O peso da sua caneta em 2026
Este ano,
o destino do Brasil e de Sergipe passa por uma escolha tão complexa quanto
decisiva. Você terá o poder — e a responsabilidade — de referendar quem ocupará
os cargos de:
•
Presidente da República
• Governador
• Senador (duas vagas em disputa)
• Deputado Federal
• Deputado Estadual
Não se pode ignorar, ainda, que o país convive
atualmente com um dos piores Congressos de sua história recente — um parlamento
que, reiteradamente, dá mostras de estar mais comprometido com interesses
corporativos, barganhas políticas e autoproteção do que com os reais problemas
da população. Em vez de priorizar reformas estruturais, combater privilégios ou
enfrentar desigualdades históricas, parcela significativa de seus membros
prefere dedicar energia a disputas estéreis, manobras regimentais e acordos que
pouco — ou nada — acrescentam à vida do cidadão comum.
É um Congresso que, com frequência, legisla em
causa própria, amplia benefícios internos enquanto a população enfrenta
serviços públicos precários e, não raro, atua para enfraquecer mecanismos de
controle e fiscalização. Esse descompasso entre representantes e representados
não é apenas preocupante — é inaceitável. É urgente romper com esse ciclo. O Brasil
precisa de representantes que abandonem o fisiologismo, deixem de lado
interesses menores e voltem sua atuação, com seriedade e compromisso, para
aquilo que realmente importa: os problemas concretos do país e as necessidades
reais do seu povo.
Não entregue o seu futuro a quem só se lembra da
sua existência de quatro em quatro anos. O político que se omite nas crises não
merece, em hipótese alguma, a sua confiança na urna. O voto não é um favor que
se presta a um "amigo" de ocasião; é, na verdade, a sua única arma
contra aqueles que, no fundo, prefeririam que o povo apenas se explodisse
enquanto eles continuam a dividir, entre si, o banquete do poder.
Olho aberto, eleitor! O canto da sereia continua
seduzindo — mas apenas aqueles que insistem em esquecer o passado.
Por: Genílson
Máximo
Data: 05 de maio de 2026.
