Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de abril 10, 2026

Comício, dentadura e um discurso que não fechava

Crônica Na década de 80, em plena efervescência de uma campanha eleitoral — daquelas em que promessa corria mais solta que boato de feira — fui convidado a participar do comício de um político local bastante conhecido. O evento aconteceu em frente ao Hotel Dom Bosco, num palco improvisado sobre a carroceria de um caminhão, virado para a Praça do Amparo como quem desafia o equilíbrio e a lógica. Era uma quarta-feira à noite, e a rua fervilhava. Gente por todo lado, espremida, animada, curiosa — alguns pelo candidato, muitos mais pelo espetáculo. Porque, naquele tempo, comício não era só discurso: era quase uma quermesse política. Distribuíam-se brindes, camisetas, bonés, promessas e, em alguns casos, até esperança — essa, sempre em estoque duvidoso. A decoração ajudava no clima: cartazes colados nas paredes, rostos sorridentes nos postes, bandeirinhas atravessando a rua como se fosse festa junina fora de época. A iluminação, meio improvisada, dava ao cenário um ar entre o solene e o c...