Num desses dias em que a inspiração nos dá um sacolejo tão forte no juízo que chega a deslocar o bom senso, resolvi sacudir as lembranças, espanar o pó do tempo e colocar no papel um episódio que, ao meu ver, pertence à mais pura essência da comédia pastelão da vida real. Era tarde de um domingo, 23 de maio de 2010. A nossa querida Estância, terra de Gumercindo Bessa, parecia um formigueiro que tinha levado uma topada. Pelos quatro cantos, o fuxico da campanha eleitoral corria mais rápido que rastro de pólvora. Para completar o caldeirão, os festejos juninos já batiam à porta, e em cada beco, rua e esquina, respirava-se uma mistura de promessa política com aquele gostinho de "Salva Junina" — tradição das boas que fecha maio com chave de ouro e fumaça no zóio. Neste cenário de pura ebulição, o telefone tocou. Do outro lado, a voz veloz e inconfundível do meu amigo — o sempre atencioso médico e forrozeiro de carteirinha, passaporte e bota de couro — doutor Gilson Andrade. Ele m...