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Mostrando postagens de maio, 2026

Dr. Cristóvão propõe monumento para eternizar legado de Valter Cardozo

  ESTÂNCIA — A preservação da memória histórica do município ganhou destaque na sessão ordinária da Câmara Municipal de Estância realizada em 8 de novembro de 2022. O vereador Dr. Cristóvão (MDB) apresentou a Indicação nº 646/2022, solicitando ao Poder Executivo a construção de um monumento em homenagem ao ex-prefeito Valter Cardozo Costa, na entrada do Bairro Cidade Nova. A proposta busca reconhecer a contribuição do gestor que deu nome ao bairro e esteve diretamente ligado ao processo de expansão urbana da cidade. Durante a defesa da indicação, o parlamentar destacou a importância de manter viva a trajetória de personalidades que contribuíram para o desenvolvimento de Estância. “Entendemos ser uma justa homenagem ao fundador desse majestoso e pujante bairro de nossa cidade. É uma forma didática de manter viva a história para conhecimento das futuras gerações”, afirmou o vereador. Reconhecido por sua atuação parlamentar voltada para questões históricas e comunitárias, Dr. Cristóvã...

Os dois lados da vida de Ninete: da luta no cabaré à força de uma guerreira

Na década de oitenta, em Estância, as margens da BR-101 pareciam possuir vida própria quando a noite caía. Caminhões rasgavam a estrada feito trovões metálicos, enquanto luzes coloridas piscavam nos famosos bordéis de Tomatinho, Cícero, Gildo, Ninha Ninete, Raimundo de Jacó e no célebre Bambu. O povo mais puritano chamava aqueles lugares de “casas obscenas”. Mas quem conhecia os atalhos da vida sabia: ali muita gente ia não apenas atrás de prazer, mas também de esquecimento, consolo e fuga. O cabaré era democrático. Misturava rico, liso, remediado, empresário, picareta, biriteiro, caminhoneiro, valentão, homem de família e sujeito perdido de si mesmo. Tinha de tudo. Era um retrato torto da própria sociedade. E naquele universo de fumaça, música alta, perfume barato e tristeza escondida atrás de gargalhadas, destacava-se Dona Ninete. Era impossível sua presença passar despercebida. Alta, elegante, sempre vestida em cores vibrantes, joias reluzindo nos braços e um perfume que anunciava s...

O deputado Gilson Andrade cantou Gonzaga, mas quem deu o show foi o jato do pitu

Num desses dias em que a inspiração nos dá um sacolejo tão forte no juízo que chega a deslocar o bom senso, resolvi sacudir as lembranças, espanar o pó do tempo e colocar no papel um episódio que, ao meu ver, pertence à mais pura essência da comédia pastelão da vida real. Era tarde de um domingo, 23 de maio de 2010. A nossa querida Estância, terra de Gumercindo Bessa, parecia um formigueiro que tinha levado uma topada. Pelos quatro cantos, o fuxico da campanha eleitoral corria mais rápido que rastro de pólvora. Para completar o caldeirão, os festejos juninos já batiam à porta, e em cada beco, rua e esquina, respirava-se uma mistura de promessa política com aquele gostinho de "Salva Junina" — tradição das boas que fecha maio com chave de ouro e fumaça no zóio. Neste cenário de pura ebulição, o telefone tocou. Do outro lado, a voz veloz e inconfundível do meu amigo — o sempre atencioso médico e forrozeiro de carteirinha, passaporte e bota de couro — doutor Gilson Andrade. Ele m...

João Barriga: o homem que “ressuscitou” no velório

João Esídio dos Santos, eternizado pelo apelido de João Barriga , foi um desses personagens que dão alma às cidades do interior. Homem simples e de mil ofícios, fez da Rua de São Cristóvão, no bairro Santa Cruz, em Estância, o seu porto seguro, onde fincou raízes e criou sua numerosa prole. Nos seus primeiros tempos, era figura cativa no cotidiano da cidade como aguadeiro, vendendo o precioso líquido transportado no lombo de burros. Com o suor do trabalho, conseguiu evoluir: adquiriu uma possante junta de bois e uma carroça, com a qual vencia as ladeiras transportando pedras e materiais de construção. Mais tarde, o destino o forçou a retroceder para um veículo menor, puxado por um só burro, até que as intempéries da vida o fizeram perder seus bens. João era casado com a senhora Sofia Ferreira dos Santos, com quem dividiu a jornada de criar nove filhos. Durante minha adolescência, conheci dois deles — Caquinho e Nenê —, que hoje, como o pai, já habitam a memória. Figura onipresente no b...

Barrismo: quando o pertencimento se transforma em consciência coletiva

  Há quem critique o barrismo como um simples apego exagerado à terra natal. Outros o enxergam como provincianismo, vaidade regional ou mera rivalidade entre cidades. Contudo, quando analisado sob a ótica moral, cultural e política, o barrismo pode representar algo muito mais profundo: identidade, pertencimento, valorização das raízes e compromisso com o desenvolvimento da própria comunidade. O barrismo saudável não nasce da arrogância. Ele brota da memória afetiva. É o orgulho do sotaque, da culinária, das tradições populares, das festas religiosas, das expressões culturais e da história construída por gerações. É o sentimento que leva alguém a defender sua cidade não por achar que ela é superior às demais, mas por entender que ela carrega suas origens, sua gente e sua trajetória de vida. No campo cultural, o barrismo possui papel fundamental. Povos que abandonam suas referências terminam absorvidos por modelos externos que pouco dialogam com sua realidade. Uma cidade que não ...