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Mostrando postagens de maio 26, 2026

Os dois lados da vida de Ninete: da luta no cabaré à força de uma guerreira

Na década de oitenta, em Estância, as margens da BR-101 pareciam possuir vida própria quando a noite caía. Caminhões rasgavam a estrada feito trovões metálicos, enquanto luzes coloridas piscavam nos famosos bordéis de Tomatinho, Cícero, Gildo, Ninha Ninete, Raimundo de Jacó e no célebre Bambu. O povo mais puritano chamava aqueles lugares de “casas obscenas”. Mas quem conhecia os atalhos da vida sabia: ali muita gente ia não apenas atrás de prazer, mas também de esquecimento, consolo e fuga. O cabaré era democrático. Misturava rico, liso, remediado, empresário, picareta, biriteiro, caminhoneiro, valentão, homem de família e sujeito perdido de si mesmo. Tinha de tudo. Era um retrato torto da própria sociedade. E naquele universo de fumaça, música alta, perfume barato e tristeza escondida atrás de gargalhadas, destacava-se Dona Ninete. Era impossível sua presença passar despercebida. Alta, elegante, sempre vestida em cores vibrantes, joias reluzindo nos braços e um perfume que anunciava s...