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A mangueira de Jorge Leite: fruto, memória e silêncio cantante

  No coração da Praça Princesa Isabel, no bairro Santa Cruz, existe uma mangueira que segue firme, soberana, como guardiã do tempo. Continua ali — frondosa, altiva, exuberante. Mas o que ela já viveu... ah, isso eu conto agora, enquanto olho pra ela daqui mesmo, de onde escrevo. Ela sempre esteve ali, bem em frente à antiga casa do saudoso senador Júlio Leite — residência onde Dr. Jorge Leite morou por toda a vida. Sem dúvida nenhuma, foi o zelador sentimental dessa praça. Ninguém sabe ao certo quantos anos ela tem. Ainda não sei! Mas lembro bem da sua copa carregada, especialmente durante a estação das mangas. Era como se o céu se escondesse entre os galhos, de tanto fruto madurinho, amarelo, com aquele perfume doce que tomava conta do ar. Bastava uma cair no chão com aquele sonoro “buf” — e pronto: a criançada corria, disputando a fruta como se fosse troféu. Jorge Leite, sempre discreto, gostava de assistir a tudo da sua varanda. Ficava ali, sentado, vendo os passarinh...

Maria Rosa, a Rosa de Carretéis: flor que jamais murcha na memória do filho

  Houve um tempo em que a vida não se media em relógios, mas em chuvas que tardavam e colheitas que se esperavam. Nesse tempo, nasceu no povoado Carretéis, em Itabaianinha, agreste de Sergipe, uma menina chamada Maria Rosa. Filha do agricultor José Máximo, era feita de barro, sol e suor. Cresceu entre raízes de mandioca e sacas de farinha. Não teve escola nem caderno, mas aprendeu com a enxada e a reza, com o silêncio das noites cortadas pelo coaxar dos sapos e o sonho de uma vida mais justa. Desde cedo, a menina olhava o horizonte como quem pressentia que a vida lhe pediria mais. “Deus me fez pequena de corpo, mas grande de coragem” , pensava. Aos dezoito anos, partiu com a mala leve, carregando mais coragem que roupas. Aracaju a recebeu com as portas do trabalho abertas, mas não as da facilidade. Tornou-se empregada doméstica em casas de família, servindo com dignidade, sem perder o brilho dos olhos cor de mel. Ali conheceu um homem e, dele, a esperança de uma gravidez. Mas o...

Porto D’Areia: ganha-pão de mulher preta

Foto ilustrativa: Pinterest No tecido urbano do pitoresco enclave do bairro Porto D’Areia, aninhado em Estância, repousa uma narrativa gloriosa, um testemunho crítico na tessitura da identidade desta urbe. Este é um espaço onde vestígios arquitetônicos reverberam um período áureo de primazia na indústria e no comércio, quando as águas do rio Piauí eram o fluído vital da economia local. Entre as ruínas dos antigos trapiches, ergue-se majestosa a chaminé da extinta Fábrica de Óleos Vegetais "Luso Brasileira". E é neste cenário que ecoam ainda hoje as vozes ecoantes das mulheres negras, cujo labor incansável forjou a própria alma de Porto D’Areia. Recordo-me dos dias dourados de minha infância, quando residia na Rua José Pires, popularmente conhecida como Rua da Tamanca, testemunhando a imprescindível contribuição das mulheres negras e pardas, muitas delas privadas do acesso à educação formal. Eram elas os esteios de suas famílias, laborando sem descanso para prover o sustent...

O esguicho do caldo do pitu me fez perder a camisa nova

Num desses dias em que a inspiração nos dá um sacolejo no juízo, resolvi sacudir as lembranças, espanar o pó do tempo e, entre uma linha e outra, compus essa crônica para eternizar um episódio que, ao meu ver, é da mais pura essência faceciosa. Era tarde de um domingo, 23 de maio de 2010, e a cidade de Gumercindo Bessa estava num rebuliço só. Pelos quatro cantos se ouvia o fuxico da campanha eleitoral que se aproximava. Os festejos juninos já batiam à porta, e em cada beco, rua e esquina, respirava-se uma mistura de política com aquele gostinho de "Salva Junina", tradição das boas que fecha com chave de ouro o mês de maio. Naquele dia, o telefone tocou. Do outro lado, a voz já conhecida do meu amigo — o sempre atencioso médico e forrozeiro de carteirinha — doutor Gilson Andrade. Perguntou: — E aí, o que tá fazendo? Respondi com sinceridade: — Tô dando bando no cachorro! Riu e, sem pestanejar, me chamou para acompanhá-lo numa visita à casa da amiga Maria do Flau, ali ...

Ezequias do Trio Sertanejo fala sobre o tempo bom do forró em Estância

Ezequias, Estanciano da Gema   No coração do Nordeste, onde o forró pulsa como a própria alma do povo, a cidade de Estância, em Sergipe, guarda em sua história um capítulo vibrante escrito pelo Trio Sertanejo. Nas décadas de 70, 80 e meados de 90, Ezequias, Tonho Maroto e Pedro Sertanejo levaram a alegria do forró pé-de-serra a estancianos, sergipanos e baianos, com um jeito singular que transformava qualquer noite em um festejo inesquecível. Mais do que um grupo musical, o Trio Sertanejo foi um símbolo de união, cultura e resistência nordestina, ecoando os acordes dos maiores ícones do gênero e deixando um legado que ainda ressoa nas memórias dos amantes do São João. O forró é muito mais que um ritmo ou uma dança; é a voz do sertão, a celebração da vida em meio às adversidades, o encontro de gerações sob o céu estrelado das festas juninas. Em Estância, conhecida por sua fervorosa devoção aos santos do ciclo junino – São João, São Pedro e Santo Antônio –, o forró encontra terreno...

Prefeitura de Estância leva vacinação às escolas para atualizar cadernetas e ampliar a proteção

  INFORME PUBLICITÁRIO A Prefeitura de Estância iniciou quinta-feira, 21/08, a vacinação escolar na Escola Municipal Laura Costa Cardozo, no bairro Valter Cardozo Costa. A ação da Secretaria Municipal de Saúde leva as equipes às unidades de ensino para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes e reforçar a prevenção de doenças como o sarampo. A iniciativa segue a Lei nº 14.886/2024, que criou o Programa Nacional de Vacinação em Escolas Públicas. A campanha será estendida, nos próximos dias, a outras escolas do município. O objetivo é facilitar o acesso às vacinas de rotina e às doses de campanhas, conforme o Calendário Nacional de Vacinação. As aplicações serão feitas por profissionais capacitados, respeitando a faixa etária de cada estudante. Segundo a coordenação de Imunização, todas as instituições de ensino da cidade serão contempladas — escolas públicas, privadas e o Instituto Federal. A vacinação ocorrerá somente com autorização dos pais ou responsáveis. O termo de con...

Vereador Ninho de Bado eleva legado de Dona Angelina em proposta para nova UBS

Estância (SE), 26 de agosto de 2025 — O vereador Josival Lima Rodrigues (PP), conhecido como Ninho de Bado, apresentou a Indicação nº 603 para que a futura Unidade Básica de Saúde do Conjunto Residencial Carmem Prado Leite receba o nome de Angelina Emiliana Santos, a dona Angelina. A proposta chega no mesmo momento em que o ex-prefeito Ivan Leite autorizou a liberação de um terreno particular de 1.000 m² (20 m x 50 m) para a obra, após solicitação do prefeito André Graça em 19 de agosto. A unidade terá perfil de Saúde da Família e pretende ampliar a cobertura na zona urbana. O equipamento vai atender moradores do Albano Franco, Carmem Prado Leite, Estancinha e Avenida Fernandes, hoje dependentes da UBS do Candeal, mais distante dessas comunidades. Ao justificar a indicação, Ninho de Bado afirmou que a homenagem reconhece “uma trajetória de solidariedade e cuidado com o próximo” . Segundo o parlamentar, dar o nome de dona Angelina à unidade “é um gesto de gratidão à contribuição...