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Estância: a urgência de romper o jejum e retomar o protagonismo na Alese


Um município com a pujança econômica de Estância não pode continuar sendo mero espectador das decisões que moldam o futuro de Sergipe. A ausência de uma voz própria na Assembleia Legislativa é um freio ao desenvolvimento que precisa ser superado nas próximas urnas.

O paradoxo da invisibilidade

Hoje, 1º de julho de 2026, Estância, o "Berço da Cultura Sergipana", enfrenta um cenário que desafia a lógica de sua própria importância. Com um parque industrial consolidado, uma posição geográfica estratégica e um potencial turístico invejável, o município vive um estranho processo de "autoexílio político".

Desde 2014, quando o então deputado estadual Gilson Andrade deixou a Assembleia Legislativa para assumir outros projetos, Estância mergulhou em um jejum de representação na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). Ao completar mais de uma década desse hiato, a pergunta que ecoa nas ruas é: por que uma cidade que tanto vota continua sendo preterida na distribuição de investimentos e na atenção do Governo do Estado?

A fragmentação do voto e a traição das lideranças

Para compreender esse cenário, é preciso olhar para a aritmética eleitoral. A fragmentação do voto estanciano é um fenômeno que beneficia apenas interesses políticos externos.


  • A dispersão como estratégia de poder: Em 2022, mais de 170 candidatos disputaram parte do eleitorado estanciano. Enquanto o eleitor, muitas vezes influenciado por "pseudo-lideranças", pulveriza seu voto entre candidatos de outras regiões, a cidade perde a possibilidade matemática de eleger um representante legítimo.

  • O papel das "pseudo-lideranças": Há um componente ético preocupante na atuação de determinadas lideranças locais e vereadores que, por conveniências pessoais, direcionam o eleitorado para candidatos sem compromisso efetivo com as demandas de Estância. Quando esses "padrinhos" políticos priorizam alianças externas, não apenas ignoram a história do município, como também contribuem para sua perda de protagonismo nas decisões tomadas em Aracaju.

  • Retrospectiva histórica:

    • 1990/1994: Estância manteve protagonismo político com Dr. Ivan Leite e Dr. Carlos Magno.

    • 2010/2014: O mandato do médico Gilson Andrade na Alese garantiu voz ativa ao município.

    • Cenário atual: Desde 2014, o vazio de representação transformou Estância em um mero "curral eleitoral" para candidatos que, após eleitos, priorizam suas bases de origem e relegam o município a um plano secundário.


O despertar da consciência política

Os números são claros: Estância possui eleitorado suficiente para contribuir decisivamente para a eleição de um representante. O que falta é coesão política. Em 2026, a insatisfação popular com a ausência de maior atenção do Estado ao município precisa ser convertida em inteligência eleitoral.

A retomada do protagonismo começa pelo reconhecimento do próprio valor. Para que Estância volte a ocupar o espaço que sua história, sua economia e sua cultura justificam, a classe política local precisa ser pressionada pela sociedade a convergir em torno de um projeto que coloque o bem da cidade acima de conveniências partidárias ou interesses pessoais.

O futuro de Estância não está em mãos alheias; está no próximo passo que cada cidadão dará diante da urna.





Por: Genílson Máximo


Em 1 de julho de 2026.