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Mostrando postagens de 2026

Lobisomem que se atreva: no Alto do Cheiro, quem manda é Zé de Antero

O Alto do Cheiro não aparece em mapa grande. É desses lugares que só existem de verdade para quem chega devagar, sentindo a poeira subir mansa, misturada ao cheiro de terra quente e folha amassada. Foi num dezembro de 2008 que cheguei ali, levado pelo convite de Zé de Antero — homem conhecido mais pela boca do que pelos feitos, mas que, no sertão, isso já basta para virar lenda. Antes de subir a ladeira de barro rumo ao povoado, Riachão do Dantas me segurou pelos braços da memória. A igreja de Nossa Senhora do Amparo estava aberta, silenciosa, como se ainda guardasse ecos antigos. Ali, em 1966, um menino chamado Augusto Sérgio caiu da torre enquanto puxava o sino na hora mais solene da missa. O corpo foi levado às pressas para Lagarto; a notícia da morte voltou mais rápido. Desde então, o sino nunca tocou do mesmo jeito. Em cidade pequena, tragédia não passa — se acomoda. Riachão também é a terra do Bode Bito, criatura mais sociável que muito cristão. O bicho acompanhava missas, festas...

O Mistério do lobisomem da Ponte do Bonfim em Estância: um causo de terror e humor

  Final dos anos 1960. Estância, sul de Sergipe. Tempo em que o apito da centenária Fábrica Senhor do Bonfim era mais pontual que relógio suíço e mandava mais do que muito político da época. Bastava o silvo ecoar e pronto: as ruas se enchiam de homens e mulheres de farda azul, caminhando apressados para cumprir turno, trocar serviço ou voltar para casa com o corpo cansado e a alma pedindo um café quente. O bairro Senhor do Bonfim fervilhava em horários certos — três, quatro vezes ao dia — num vaivém quase coreografado, que tinha como passagem obrigatória a pequena ponte de madeira sobre o rio Piauitinga. Entre esses operários, destacavam-se as mulheres: trabalhadeiras, firmes, que encaravam turno da noite sem reclamar. Mas começaram a reclamar — e muito — quando um personagem inesperado resolveu entrar na história: o lobisomem da ponte. Havia também os maridos, homens simples, porém zelosos, que não tinham estudo de sobra, mas tinham relho, cacete e disposição. E, como guardião da ...

Estância não pode continuar exportando votos e importando silêncio político

  O município de Estância, detentor de reconhecida relevância histórica, econômica e social no cenário sergipano, convive há anos com uma contradição que compromete seu desenvolvimento político: mesmo dispondo de quadros qualificados e com respaldo eleitoral significativo, permanece sem representação própria na Assembleia Legislativa de Sergipe. As eleições de 2022 evidenciaram esse potencial desperdiçado. Candidaturas locais consistentes, como as do professor Dudu (3.714 votos), do policial Márcio Souza (2.234 votos), da professora Adriana Oliveira (5.401 votos) e do advogado Misael Dantas (5.832 votos), demonstraram que Estância possui capital político e eleitoral suficiente para ocupar espaço legítimo no Parlamento estadual. O problema, portanto, não reside na ausência de nomes preparados, mas na fragmentação do voto e na lógica política que historicamente subordina os interesses locais a projetos externos. Do ponto de vista da Ciência Política, trata-se de um caso clássico...