Quase dez
anos. Esse é o período que separa Estância da última vez em que um
representante diretamente identificado com a cidade ocupou uma cadeira na
Assembleia Legislativa de Sergipe.
Entre
2011 e 2016, o médico Gilson Andrade exerceu dois mandatos consecutivos como
deputado estadual. Em dezembro de 2016, deixou a Alese para assumir a
Prefeitura de Estância. Desde então, o município não voltou a eleger um
deputado estadual cuja principal base política e eleitoral estivesse
diretamente vinculada à cidade.
De lá
para cá, a política sergipana mudou. Governos foram eleitos e reeleitos, novos
investimentos foram anunciados, orçamentos estaduais foram aprovados e as
emendas parlamentares ganharam importância no financiamento de obras e ações
nos municípios.
Nesse
cenário, Estância passou a depender da articulação de parlamentares de
diferentes bases políticas para encaminhar demandas junto ao Legislativo
estadual.
A
discussão, portanto, não é de vitimismo. É de representação política.
O que significa não ter um deputado da cidade?
A
Assembleia Legislativa é um dos espaços onde são debatidas e votadas decisões
que interferem diretamente na vida dos municípios. Ali passam o orçamento
estadual, programas governamentais, investimentos públicos e emendas
parlamentares.
Ter um
deputado diretamente vinculado a uma cidade não garante, por si só, obras,
recursos ou benefícios. Também não significa que outros parlamentares deixarão
de atuar em favor daquele município.
A
diferença está na existência de um interlocutor cuja atuação política possa ser
cobrada diretamente pela população e que tenha, em sua própria base eleitoral,
um compromisso permanente com as demandas locais.
É natural
que os parlamentares dediquem atenção especial às regiões onde possuem suas
principais bases políticas e eleitorais. Por isso, a ausência de uma
representação própria não significa ausência absoluta de apoio, mas pode tornar
mais dispersa a articulação dos interesses do município.
É nesse
ponto que a discussão sobre Estância ganha relevância.
Uma cidade com peso regional
Com
população estimada em 67 mil habitantes, Estância está entre os municípios de
maior população do sul de Sergipe. Sua importância, porém, não se resume ao
número de moradores.
A cidade
possui tradição industrial, atividade comercial, patrimônio histórico e
cultural, vocação turística e influência sobre municípios do entorno. É um
município que exerce papel relevante na dinâmica econômica e regional do
estado.
Esse peso
também coloca em debate a necessidade de uma representação política capaz de
defender seus interesses de maneira permanente no Legislativo estadual.
Isso,
entretanto, não significa que qualquer candidato de Estância deva receber
automaticamente o voto do eleitor.
Vínculo
territorial, por si só, não é suficiente. O que precisa estar em avaliação é a
capacidade de cada candidato de transformar um eventual mandato em trabalho,
articulação, fiscalização e resultados concretos para a população.
Experiência também entra na conta
Entre os
nomes que já ocuparam espaço na política estadual está Gilson Andrade, que
exerceu dois mandatos na Assembleia Legislativa antes de assumir a Prefeitura
de Estância.
Agora,
com sua candidatura a deputado estadual homologada para as eleições de 2026,
sua experiência parlamentar volta a ocupar espaço no debate eleitoral do
município.
Esse
histórico pode ser considerado pelo eleitor. Mas experiência, isoladamente, não
encerra a discussão.
Também
precisam entrar na avaliação as propostas, o histórico de atuação, a capacidade
de articulação, a independência política e, sobretudo, quais resultados
concretos podem ser esperados de um eventual mandato.
A
eleição, portanto, não deveria ser reduzida à simples escolha de um nome
conhecido ou identificado com a cidade.
Representação não é favor
Existe
uma diferença entre receber eventualmente uma emenda parlamentar, participar de
uma agenda institucional ou contar com o apoio pontual de um deputado e ter uma
representação política diretamente vinculada ao município.
Uma
representação própria não assegura privilégios nem garante recursos
automaticamente. Significa, sobretudo, a existência de um parlamentar cuja
atuação possa ser acompanhada e cobrada de maneira mais direta pelos eleitores
da cidade.
Essa
cobrança também faz parte do processo democrático.
Por isso,
a discussão sobre a presença de Estância na Assembleia Legislativa não deveria
se limitar à eleição de 2026. O debate é mais amplo: qual espaço a cidade
pretende ocupar na política estadual e que tipo de representação deseja
construir?
O voto e o futuro político de Estância
Quando as
urnas forem abertas, o eleitor estanciano terá diante de si mais do que uma
escolha entre nomes e partidos.
Terá a
oportunidade de avaliar se a cidade deve continuar dependendo da articulação de
parlamentares de outras bases ou se pretende construir uma representação
própria na Assembleia Legislativa.
Essa
decisão não deveria ser tomada apenas por paixão partidária, gratidão pessoal
ou promessa de campanha. Deve considerar trajetória, propostas, capacidade
política e, principalmente, a disposição de transformar o mandato em
instrumento permanente de defesa dos interesses da população.
Quase dez
anos sem um deputado estadual diretamente identificado com Estância são tempo
suficiente para que a cidade faça uma reflexão madura sobre seu espaço na
política sergipana.
A
questão, no fundo, não é apenas quem será eleito.
É saber quem
estará disposto a falar por Estância, defender suas demandas e prestar contas à
população quando as urnas já tiverem ficado para trás.
Porque
Estância não precisa ser lembrada apenas durante as campanhas eleitorais.
Precisa estar presente nos espaços onde as decisões são tomadas.
E é nas
urnas que o eleitor decidirá quem poderá ocupar esse espaço.
Por: Genílson Máximo
Em 16 de agosto de 2026.
Dia de São Roque.
Dia do Filósofo.
