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Barrismo: quando o pertencimento se transforma em consciência coletiva

  Há quem critique o barrismo como um simples apego exagerado à terra natal. Outros o enxergam como provincianismo, vaidade regional ou mera rivalidade entre cidades. Contudo, quando analisado sob a ótica moral, cultural e política, o barrismo pode representar algo muito mais profundo: identidade, pertencimento, valorização das raízes e compromisso com o desenvolvimento da própria comunidade. O barrismo saudável não nasce da arrogância. Ele brota da memória afetiva. É o orgulho do sotaque, da culinária, das tradições populares, das festas religiosas, das expressões culturais e da história construída por gerações. É o sentimento que leva alguém a defender sua cidade não por achar que ela é superior às demais, mas por entender que ela carrega suas origens, sua gente e sua trajetória de vida. No campo cultural, o barrismo possui papel fundamental. Povos que abandonam suas referências terminam absorvidos por modelos externos que pouco dialogam com sua realidade. Uma cidade que não ...

O Despertar do eleitor: entre o "abraço de tamanduá" e o silêncio dos oportunistas

O calendário marca 2026 e, com ele, ressurge — mais uma vez — um fenômeno folclórico e perigoso na política brasileira: o político "Copa do Mundo". Aquele que passou quatro anos em berço esplêndido, ignorando deliberadamente as súplicas da população, mas que agora, quase que por milagre, desenvolveu um apetite voraz por pastéis de feira e uma disposição invejável para comparecer até a "aniversário de boneca". Não se trata de coincidência; trata-se de conveniência escancarada. O teatro do absurdo nas ruas Estamos, sem qualquer disfarce, na temporada do "abraço de tamanduá" — aquele aperto forte que, na prática, serve para sufocar a memória do eleitor e encobrir anos de omissão. É o momento em que figuras que sempre ostentaram desprezo silencioso pelas causas populares saem às ruas, encenando uma humildade coreografada que beira o cinismo. É impossível não lembrar do icônico personagem Justo Veríssimo, de Chico Anysio, cujo lema ecoa — com desconcertan...

Deu Quiproquó no Forró de Chão Batido

  No ano da graça de 1976, no agreste profundo de um município que só aparece no mapa se a gente der zoom com fé, aconteceu uma das noites mais atrapalhadas já vistas num forrobodó regional. Tudo começou num baile animado por um trio de forró que era uma cópia sem vergonha, mas competente, d’Os 3 do Nordeste. O sanfoneiro era Ganso — um cabra magro feito vara de pescar, mas que tirava som da sanfona como se tivesse pacto com Santo Lua. Na zabumba, vinha Mangangão, gordo que só ele, que suava igual tampa de chaleira; e no triângulo, o invocado Saruê, que tocava com tanta empolgação que, vez em quando, perdia o compasso e seguia mesmo assim, com cara de quem estava certo. A festança se deu numa casa de chão batido, com candeeiro pendurado no meio do salão, balançando como se dançasse também. O dono da casa, Seu Minervino, passava hora em hora com balde d’água pra molhar o chão, senão o chap-chap do chinelo do povo fazia levantar poeira que até gritava por socorro. Nesse tipo ...

A experiência ignorada: por que a cadeira de presidente da Câmara de Estância foge dos veteranos

  Estância ocupa um papel releva nte no cenário político sergipano. Com forte arrecadação e influência regional, o município exige expertise na condução de seus espaços institucionais — especialmente no Poder Legislativo. A presidência da Câmara Municipal, mais do que uma função administrativa, representa a condução de uma estrutura que movimenta recursos expressivos. O duodécimo mensal é de R$ 1.133.005,35, o que projeta, ao longo de um biênio, um montante de R$ 27.192.108,40 sob gestão da Mesa Diretora. Trata-se, portanto, de uma função que exige preparo, planejamento e visão administrativa. A Câmara de Estância reúne vereadores com trajetórias distintas. Entre eles, nomes com longa experiência legislativa seguem como referências dentro da Casa. É o caso de Artur Oliveira, com seis mandatos; Sandro de Bibi e Zé da Paz, ambos com cinco mandatos. São parlamentares que acumulam décadas de vivência no Legislativo municipal, com conhecimento consolidado sobre o funcionamento ins...

Comício, dentadura e um discurso que não fechava

Crônica Na década de 80, em plena efervescência de uma campanha eleitoral — daquelas em que promessa corria mais solta que boato de feira — fui convidado a participar do comício de um político local bastante conhecido. O evento aconteceu em frente ao Hotel Dom Bosco, num palco improvisado sobre a carroceria de um caminhão, virado para a Praça do Amparo como quem desafia o equilíbrio e a lógica. Era uma quarta-feira à noite, e a rua fervilhava. Gente por todo lado, espremida, animada, curiosa — alguns pelo candidato, muitos mais pelo espetáculo. Porque, naquele tempo, comício não era só discurso: era quase uma quermesse política. Distribuíam-se brindes, camisetas, bonés, promessas e, em alguns casos, até esperança — essa, sempre em estoque duvidoso. A decoração ajudava no clima: cartazes colados nas paredes, rostos sorridentes nos postes, bandeirinhas atravessando a rua como se fosse festa junina fora de época. A iluminação, meio improvisada, dava ao cenário um ar entre o solene e o c...

O Circo, o Jogo e a Urna: Estância não pode ser figurante no espetáculo de 2026

  O ano de 2026 desenha-se como a “tempestade perfeita” para o entorpecimento da consciência política. Em um calendário em que a Copa do Mundo divide espaço com o brilho das fogueiras do São João, o eleitor corre o risco de ser reduzido a um mero espectador — e pior: o único a pagar o ingresso de um espetáculo no qual deveria ser o protagonista. Enquanto o Brasil vibra com o apito inicial em 11 de junho, nos bastidores, a engrenagem dos “mercadores de votos” já opera em rotação máxima, lubrificada por interesses que nada têm a ver com o bem comum. A patologia dos “candidatos copa do mundo” Eles surgem do nada, como se despertassem de uma hibernação estratégica que dura exatamente quatro anos. Não constroem, não participam, não pertencem — apenas aparecem. Cruzam Sergipe com o oportunismo de quem conhece os atalhos para o bolso e a esperança do povo, mas desconhece — ou despreza — a realidade das ruas de Estância. São os Candidatos Copa do Mundo: figuras que ignoram a cidade durante...

Estância: onde até o nome já chega bonito

Estância. Só de falar, já escorre uma sonoridade elegante, dessas que não tropeçam na língua nem causam vergonha alheia fonética. Um nome que se impõe com suavidade — coisa rara. Dizem que veio de um mexicano, Pedro Homem da Costa, sujeito que passou por essas bandas quando Estância ainda era uma extensão de Santa Luzia. Pode ter sido batizada assim por ser ponto de parada, respiro no meio das longas e cansativas rotas comerciais de antigamente. Um lugar onde o corpo descansava e, sem querer, a história começava a se instalar. Dom Pedro II não economizou nos elogios: chamou a cidade de “Jardim de Sergipe” . E não foi por gentileza imperial. Estância carrega nas suas entranhas um patrimônio arquitetônico de fazer qualquer cidade grande corar de inveja — sobrados azulejados, becos que parecem sussurrar segredos e ruas que já viram mais história do que muito livro por aí. Sim, muita coisa se perdeu. Demoliram, mutilaram, apagaram pedaços importantes. Mas Estância tem uma teimosia bonita: ...

O gol de placa de Dr. Jorge Leite: entre Dalva, Herivelton e a Rádio Esperança

    Há crônicas que nascem do saudosismo, mas esta nasce, sobretudo, da admiração. Ela entrelaça dois tempos: o turbulento romance de Dalva de Oliveira e Herivelton Martins nos anos 50 e a lembrança vívida do meu mestre e amigo, Dr. Jorge Leite . Engenheiro elétrico por formação, mas jornalista e radialista por vocação, o proprietário da Rádio Esperança era um homem cujo faro para a comunicação sempre o colocava à frente do seu tempo. Em meados de 2009, o telefone do estúdio tocou. Do outro lado da linha, direto de São Paulo, a voz inconfundível do Dr. Jorge: — "Estou em uma loja de LPs e acabo de garimpar Dalva de Oliveira e Herivelton Martins. Você já ouviu falar deles? Prepare a produção para o meu programa, 'A Esperança Conversa com Você'. Vou contar essa história. Foi um furacão na época!" Dr. Jorge não buscava apenas discos; ele resgatava a memória afetiva do Brasil. Na semana seguinte, ele cruzou o estúdio com os vinis debaixo do braço. Combinamos a grava...

Estância intensifica obras estruturantes e autoriza implantação do Centro da Criança e do Adolescente

  Gestão municipal amplia investimentos em mobilidade, educação, esporte e saneamento, com foco na inclusão social Como parte do planejamento de novos investimentos, será assinada, nesta terça-feira (24), a ordem de serviço para a construção do Centro da Criança e do Adolescente, em Estância. A obra terá investimento de cerca de R$ 2 milhões, com recursos do Fundo da Criança e do Adolescente, e será instalada ao lado do ginásio da Escola Municipal João Nascimento Filho. O espaço, hoje ocioso, será requalificado para ações de proteção e desenvolvimento de crianças e adolescentes. O prefeito André Graça mantém um conjunto de obras voltadas à melhoria da infraestrutura e das condições de vida da população. As intervenções priorizam áreas com carência histórica de serviços públicos. Na mobilidade urbana, seguem os serviços de pavimentação da antiga Rua do Cigano e as obras de drenagem e pavimentação no Conjunto Santo Antônio. As ações buscam melhorar o tráfego e o acesso nessas...

Quando a sanfona silencia, a memória resiste: o forró pé de serra em Estância pede futuro

Em Estância, onde o São João se ergue como um dos mais emblemáticos do Brasil, o som da sanfona sempre foi mais que música: foi identidade em estado bruto. Durante muitas décadas de festejos ininterruptos, o fole ditou o ritmo da memória coletiva. Hoje, porém, o que se ouve, por entre bandeirolas e fogueiras, é uma auasência que inquieta. A partida de mestres como Zé Taquary, Badinho, Tota Machado, Zé Rodrigues, Raimundo de Jacó, Zedinato Cebinho e Patelô não representa apenas perdas individuais — é como se cada ausência arrancasse uma nota da partitura cultural da cidade. Restam poucos guardiões, como Neno, Zé Carlos e Gonçalo, sustentando, quase solitários, a respiração do forró tradicional. Há, nesse cenário, uma ironia silenciosa: celebra-se com grandiosidade o São João, enquanto se enfraquece, pouco a pouco, o alicerce que o sustenta. A festa permanece, mas sua essência corre o risco de se diluir. Nascido no Nordeste — entre Pernambuco, Paraíba e Ceará — o forró é fruto da mistura...

João Barriga: o homem que “ressuscitou” no velório

João Esídio dos Santos, mais conhecido como João Barriga , foi um homem simples e versátil que exerceu diversas profissões ao longo da vida. Morou sempre na Rua de São Cristóvão, no bairro Santa Cruz, em Estância, onde construiu sua história e criou sua família. Nos primeiros tempos, trabalhou como aguadeiro, vendendo água transportada em burros. Depois, conseguiu melhorar um pouco de vida ao adquirir uma carroça puxada por uma junta de bois, com a qual transportava pedras e materiais de construção pela cidade. Mais tarde, substituiu esse veículo por uma carroça menor, puxada por um burro. Com o passar do tempo, porém, acabou perdendo esses bens. João Barriga era casado com a senhora Sofia Ferreira dos Santos, com quem teve nove filhos. Durante a minha adolescência, cheguei a conhecer dois deles — Caquinho e Nenê — ambos já falecidos. Figura bastante conhecida no bairro, João Barriga também tinha fama de ser um grande apreciador de cachaça. Não tinha dificuldades em “meter o pé na jaca...

Prefeito André Graça anuncia nova fase para área do antigo Ceasa

  O prefeito André Graça anunciou que a Prefeitura de Estância dará início, no dia 3 de março, às 11h, a uma nova etapa de ocupação da área do antigo Ceasa. Na data, a gestão municipal assina a ordem de serviço para a construção de um Módulo Esportivo às margens da BR-101, em frente à Maratá. A medida marca a retomada definitiva de um espaço que permaneceu ocioso por cerca de 30 anos. O equipamento será implantado em uma área de 3.119,31 metros quadrados. O investimento soma R$ 1.039.790,66, com recursos oriundos da outorga de água e esgoto do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Estância. A execução caberá à empresa HFontes Engenharia e Construção. O prazo contratual é de dez meses, com entrega prevista para janeiro de 2027. O projeto resulta de parceria entre o Município de Estância e a Secretaria de Estado do Esporte e Lazer de Sergipe. O governo estadual fornecerá os módulos esportivos pré-fabricados. As estruturas incluem campo society, quadra poliesportiva, meia qu...